domingo, 26 de julho de 2009

The Picture

John vive bem, tem uma casa confortável na capital, um emprego com um bom salário e uma coleção de quadros do mundo inteiro. Ele sempre se interessou por arte de todos os tipos, mas tinha uma fascinação em especial por quadros, que seus amigos nunca entenderam, apesar de sempre levarem de suas viagens um quadro para presenteá-lo.
Em uma tarde chuvosa seu melhor amigo veio lhe fazer uma visita. Como de praxe, trouxe-lhe um quadro, com a figura de uma bela moça na praia. John encantou-se pela figura retratada e não hesitou em perguntar detalhes sobre o quadro, com intenção de saber quem era a encantadora moça pintada na tela.
Ora, ele era solteiro, tinha o direito de se apaixonar por quem quisesse, inclusive por uma pessoa por quem havia visto somente em uma tela.
O quadro havia vindo de Santos, foi pintado por um artista amador, desses que convidam moças para seu estúdio, afim de conseguir modelos para suas pinturas. A moça era ruiva, possuía um corpo bem definido, cheio de curvas, porém com traços delicados, e aparentava ter a idade de John.
Aquele quadro, diferentemente da maioria dos outros, foi pendurado numa parede de destaque em sua casa, onde ele e todos seus visitantes poderiam ver a beleza das praias de Santos com uma moça ruiva sob sol.
Menos de uma semana depois as malas de John estavam prontas para viajar à cidade de Santos. Partiu no primeiro ônibus fretado de sua firma que iria para o litoral depois do expediente, levando consigo apenas duas malas e uma fotografia do quadro em seu bolso.

Em Santos, se hospedou no melhor hotel que seu dinheiro poderia pagar, onde não tinha vista para o mar, muito menos ficava perto da praia. Ainda no mesmo dia de sua chegada, ao cair da noite, saiu para andar pela orla da praia, contemplar o maravilhoso jardim e procurar por pintores, afim de localizar quem pintou o quadro.
A foto não parava em seu bolso, ora tirava para mostrar a alguém, quando encontrava um artista, ora para olhar e comparar, quando encontrava uma moça bonita. Depois de três dias de procura, um senhor de idade reconheceu a moça do quadro e disse que a moça era de sua família – talvez sua neta, pensou John – e que a apresentaria a ele.
O senhor, muito simpático, o levou de bonde a um local afastado, onde mais lembrava o interior do estado do que uma cidade de praia. Abriu a porta de uma casa simples, mas muito bem acabada, chamou por um nome que John não conseguiu entender e disse “Minha irmã já está vindo.”
“Irmã?” pensou John, e pensou mais umas vezes, achando que havia entendido mal, ou que havia dado idade demais ao simpático senhor que lhe ajudara em sua busca.
Após mais ou menos cinco minutos de espera, o simpático senhor lhe convida a entrar e sentar. A casa era bem mais luxuosa por dentro, com todos os equipamentos que uma casa moderna deveria ter, e fotos espalhadas por toda uma prateleira e pela mesinha de centro. Em uma dessas fotos John reconheceu a moça, a foto estava em preto-e-branco e parecia antiga, mas ele tinha certeza de que era a mesma moça.
Finalmente, alguém descia pelas escadas em espiral no meio da sala de espera, com um vestido e cabelos longos acobreados. Esse poderia ser o melhor momento da vida de John, ou não. Era uma senhora de idade, mais ou menos a mesma do simpático senhor, havia um sorriso lindo e um cabelo ruivo, com um corte moderno. Não haviam dúvidas, era a mesma moça.

Talvez John tenha investido nesse romance, mesmo com o tempo separando as gerações, ou quem sabe ele conheceu alguma sobrinha dela e se casaram. Na verdade nem eu sei do final dessa história, acredito que porque essa história ainda não terminou, ou ainda está para começar.



Pra quem não entendeu, os quadros são a internet, a bela moça/senhora é o ganho com anúncios em websites. Eu tentei, mas esse blog não me gerou miseros cents suficientes nem se quer para pagar a conta telefônica esse mês: estou sem internet.
Mas ainda vou voltar a atualizar esse blog. Ou não.
Muito obrigado pelas mais de 60 visitas diárias mesmo em tempo de crise mundial.
 

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